<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1585947453444455446</id><updated>2011-07-07T13:20:35.039-07:00</updated><title type='text'>Bruno José</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://brunojos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunojos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Bruno José</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04843808972605094933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_6BTKRrs0hTA/R-V_M2fgMPI/AAAAAAAAABk/24ECfjwOO4A/S220/STA60211.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1585947453444455446.post-1611287386776381679</id><published>2009-12-01T14:41:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T14:46:17.061-08:00</updated><title type='text'>Joana Amend de Oliveira</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6BTKRrs0hTA/SxWcLp41TII/AAAAAAAAAC0/puglXlHtOag/s1600/DSC03321.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 272px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410402251392240770" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6BTKRrs0hTA/SxWcLp41TII/AAAAAAAAAC0/puglXlHtOag/s400/DSC03321.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para quem ainda não obteve o privilégio de uma apresentação, eis aqui a razão da minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1585947453444455446-1611287386776381679?l=brunojos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunojos.blogspot.com/feeds/1611287386776381679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1585947453444455446&amp;postID=1611287386776381679' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/1611287386776381679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/1611287386776381679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunojos.blogspot.com/2009/12/joana-amend-de-oliveira.html' title='Joana Amend de Oliveira'/><author><name>Bruno José</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04843808972605094933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_6BTKRrs0hTA/R-V_M2fgMPI/AAAAAAAAABk/24ECfjwOO4A/S220/STA60211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6BTKRrs0hTA/SxWcLp41TII/AAAAAAAAAC0/puglXlHtOag/s72-c/DSC03321.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1585947453444455446.post-5203307962832486516</id><published>2008-04-01T08:04:00.000-07:00</published><updated>2008-04-01T08:09:45.077-07:00</updated><title type='text'>O acidente e a notícia - Por Bruno José</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.xenia.com.br/images/collage/Open5.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.xenia.com.br/images/collage/Open5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passava-se das 22h. Seguia em direção ao restaurante mais próximo de minha faculdade, estava com muita fome. Os dez minutos em que permaneci distraído com o trânsito manauense não me alertaram do que estava por vir. Eis que, de repente, o telefone celular toca. Impaciente, olho para o visor e reconheço o número – era de casa.&lt;br /&gt;Com o meu bom e velho carro em movimento, atendo a ligação. Era minha mãe, desesperada:&lt;br /&gt;- Meu filho, vem me buscar agora. Temos que ir ao aeroporto. Foi um acidente, foi um acidente – diz com uma inusitada angústia sem fim.&lt;br /&gt;Mesmo preocupado com seu estado emocional e sem entender o que estava acontecendo, não tive tempo de conversar com ela. Estava recebendo uma outra ligação, ao mesmo tempo. Era meu chefe, o senhor Patrick Motta, 42 anos, editor do jornal Em Cima da Notícia, da Rádio Amazonas Fm. Decidi então estacionar o carro para tentar entender o que de tão grave poderia acontecer já na entrada daquela madrugada quente de novembro. Ao receber o outro telefonema, pude me dar contar de que, era sim, algo inacreditável.&lt;br /&gt;- Bruno, vá ao Aeroporto Eduardo Gomes. Houve um acidente aéreo com uma das aeronaves da Rico Linhas Aéreas. Não temos nenhuma informação concreta com relação ao local da queda e se há sobreviventes – ordenava com sua segura e irritante tranqüilidade.&lt;br /&gt;Aceitei o pedido e segui em direção ao aeroporto. Mas ele não sabia que meu pai e meu irmão eram comandantes desta empresa há anos. Foi então que percebi o desespero que minha mãe enfrentara. E, ao mesmo tempo, pedia a visão da racionalidade. Ia em direção à notícia ou atendia ao sofrimento de minha família?&lt;br /&gt;Decidi então entrar em contato com meu pai. O telefone estava fora de área. A ansiedade e o medo do pior já não me deixavam respirar. Eis que de repente, o telefone toca mais uma vez. Era meu irmão, Mário Júnior, jovem piloto de 23 anos. Veio o súbito alíivo:&lt;br /&gt;- Você já sabe o que aconteceu?&lt;br /&gt;- Sim, acabei de receber a notícia - afirmo.&lt;br /&gt;Sem perder o próximo turbulento segundo, questiono:&lt;br /&gt;- Onde está nosso pai?&lt;br /&gt;- Não era ele o comandante do vôo. Ele está no hangar da empresa. Estou indo ao encontro de nossa mãe. Esperarei você no aeroporto.&lt;br /&gt;Nesse momento, já preparando meu psicológico para mais uma madrugada de muito trabalho, deliciava-me com uma estranha sensação de alívio. Eles estavam ali, bem perto de mim. Mas, em contra partida, deparei-me com o estado emocional daqueles que poderiam ter perdido familiares naquele vôo de número 1432. Era um sofrimento sem fim.&lt;br /&gt;Chego ao Eduardo Gomes. Repórteres corriam pelo saguão em busca de informações. Funcionários da Rico eram os porta-vozes – e, por muitas vezes, os psicólogos que atendiam famílias das vítimas. Assessores permaneciam estáticos com aquela balbúrdia. Não havia notícias concretas. O que se sabia era apenas que o exército, aeronáutica e representantes da ANAC trabalhavam em conjunto no resgate de possíveis sobreviventes. E só!&lt;br /&gt;As informações desencontradas começavam a ser veiculadas nos principais meios de comunicação da cidade. E mesmo com a estabelecida desordem exposta àquela situação, não era permitido o acesso de jornalistas nas dependências das empresas. Estavam expressamente proibidas entrevistas com os diretores e representantes dos órgãos responsáveis pelo trabalho de resgate.&lt;br /&gt;Sem perder tempo, coletava as escassas informações com os companheiros de trabalho e entrevistava, ao vivo, comandantes e co-pilotos da empresa aérea. Utilizava apenas um rádiofone, que me dava acesso à programação da Amazonas Fm. Eram intervalos de apenas dez minutos para cada flash. E o tempo passou...&lt;br /&gt;Eram quase 5h e o sol ensaiava os primeiros raios que iluminavam a cidade. Trabalhara com afã durante toda a madrugada. Estava completamente afadigado.&lt;br /&gt;O tempo passava e continuava com minha auto-exigência. Tinha que criar um jeito de barrar a segurança do aeroporto para seguir em direção ao hangar e entrevistar a diretoria da Rico. Mesmo cercado por renomados jornalistas, tinha por convicção o mérito pelo furo de reportagem. Mas não poderia aproveitar das facilidades de ter um pai e um irmão envolvidos com o problema. A competição pela notícia deveria ser justa.&lt;br /&gt;Foi então que, numa informal conversa com um piloto de monomotor da empresa Girassol Táxi Aéreo, bolamos um plano:&lt;br /&gt;- Você pode fingir ser um empresário que está fretando um vôo. Só assim você conseguirá burlar a segurança. Posso lhe ajudar disfarçando-me de comandante de sua aeronave – aconselhava o piloto.&lt;br /&gt;Achei a idéia fantástica. Caso fosse descoberta a farsa, as conseqüências poderiam escurecer até a credibilidade da emissora pela qual realizava os trabalhos. Poderia ser preso por falsidade ideológica, talvez. Mas vi aquela chance como única. Só assim poderia antecipar uma entrevista com a diretoria.&lt;br /&gt;Escondi o rádiofone por traz de minha blusa, guardei o crachá e segui. Meu acelerado batimento cardíaco denunciava o nervosismo. Suava muito. Seguia em direção ao detector de metais ao lado do piloto. O aparelho toca e agente da Polícia Federal pede minha autorização para me revistar e encontra meu equipamento de trabalho. Enérgico, justifiquei:&lt;br /&gt;- Utilizo esse aparelho para a comunicação com minha empresa. Não se preocupe, não utilizarei durante a viagem.&lt;br /&gt;Para minha felicidade, ele acreditou.&lt;br /&gt;Olho para o relógio e vejo que já passam da 9h. Cadencio os passos de forma apressada em direção a sala de Átila Yurtserver, presidente da Rico Linhas Aéreas. A sensação de ventura não me desconcentrou. Estava a um passo de uma realização profissional, mesmo sendo obrigado a transmitir uma possível tragédia aérea.&lt;br /&gt;Não demora muito e encontro aquele senhor forte, branco e alto. Seus olhos lacrimejados não escondiam mais o que até então era uma incógnita: Havia ou não sobrevivente?&lt;br /&gt;E essa foi minha primeira e única pergunta. E, para a infelicidade daqueles que esperavam ansiosos seus parentes naquele pequeno aeroporto, Átila respondeu que não.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O Hoje&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se dois anos. Já não mais trabalho na Amazonas Fm. Não recebi nenhuma gratificação pelo trabalho realizado – nem nunca fiz questão. O que ficou de positivo, mesmo com a morte dos 28 passageiros e três tripulantes do vôo 1432, foi a experiência adquirida e a certeza de que o jornalismo deve sempre lutar pela boa notícia, mesmo que, às vezes, as circunstâncias não sejam favoráveis. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1585947453444455446-5203307962832486516?l=brunojos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunojos.blogspot.com/feeds/5203307962832486516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1585947453444455446&amp;postID=5203307962832486516' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/5203307962832486516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/5203307962832486516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunojos.blogspot.com/2008/04/o-acidente-e-notcia-por-bruno-jos.html' title='O acidente e a notícia - Por Bruno José'/><author><name>Bruno José</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04843808972605094933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_6BTKRrs0hTA/R-V_M2fgMPI/AAAAAAAAABk/24ECfjwOO4A/S220/STA60211.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1585947453444455446.post-7409135788197438578</id><published>2008-03-27T13:32:00.000-07:00</published><updated>2008-03-27T13:44:11.917-07:00</updated><title type='text'>Amor - Por Carlos Drummond de Andrade</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.geocities.com/ociremaramos/carlosdrummod.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.geocities.com/ociremaramos/carlosdrummod.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;Memória &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Amar o perdido deixa confundido este coração.&lt;br /&gt;Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.&lt;br /&gt;As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão&lt;br /&gt;Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão. "&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração para de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.&lt;br /&gt;Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.&lt;br /&gt;Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.&lt;br /&gt;Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.&lt;br /&gt;Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.&lt;br /&gt;Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.&lt;br /&gt;Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...&lt;br /&gt;Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...&lt;br /&gt;Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.&lt;br /&gt;Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.&lt;br /&gt;É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1585947453444455446-7409135788197438578?l=brunojos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunojos.blogspot.com/feeds/7409135788197438578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1585947453444455446&amp;postID=7409135788197438578' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/7409135788197438578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/7409135788197438578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunojos.blogspot.com/2008/03/amor-carlos-drummond-de-andrade.html' title='Amor - Por Carlos Drummond de Andrade'/><author><name>Bruno José</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04843808972605094933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_6BTKRrs0hTA/R-V_M2fgMPI/AAAAAAAAABk/24ECfjwOO4A/S220/STA60211.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1585947453444455446.post-588886778752620430</id><published>2008-03-26T05:43:00.000-07:00</published><updated>2008-03-26T05:50:12.532-07:00</updated><title type='text'>Crônica: Vivendo o viver - Por Bruno José</title><content type='html'>&lt;a href="http://mcagnani.files.wordpress.com/2007/08/luz_camera.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://mcagnani.files.wordpress.com/2007/08/luz_camera.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Viver numa cidade grande não é fácil pra Ele. Ainda mais longe duma estrutura financeira consistente, duma família que, apesar dos pesares, respalda afeto e respeito, além, é claro, da certeza dum lugarzinho no mercado de trabalho escolhido pra quem já entrou nos seus vinte e poucos anos. É tudo muito mais tranqüilo. Mas quem disse que Ele queria vida fácil?&lt;br /&gt;Seja qual for a área, lá tem espaço. É uma cidade em crescimento e não muito distante daqui. Tem seus mais de 400 anos, teve uma fase boa no mercado financeiro no início do século XX, mas caiu drasticamente depois que os japoneses sacaram que o látex poderia ser produzido de uma forma mais simples. E só agora volta com todo o gás com o famoso PIM. PIM? Isso, não sabe o que significa, né!? Tudo bem, aposto que depois dos dois famosos pontos, neste parágrafo mesmo, você vai saber do que se trata: Pólo Industrial de Manaus. É, eu sei que você sabia! Mas enfim, a intenção aqui não é avaliar seu nível de conhecimentos gerais. A proposta é outra e, talvez, um pouco mais interessante.&lt;br /&gt;Ele tinha 19 anos, estava noivo há mais de dois anos e já queria casar, para o desespero de seus pais. Naquele tempo, Ele tinha certeza de que estava ao lado do grande amor da sua vida, a princesa encantada das histórias em quadrinho feministas. Certeza essa que virou um grande pesadelo depois de um bate-papo bem bolado pela mãe Dele, numa chuvosa e quente noite de setembro de 2004.&lt;br /&gt;A proposta era uma bolsa de estudos numa grande faculdade de jornalismo do Rio de Janeiro, idéia maquiavélica essa que a dona Joaquina teve para tentar tirar da cabeça do Grandioso essa idéia maluca de casar aos 19 anos. E o pacote completo estava incluído: casa, alimentação e roupa lavada. Além disso, uma tia já estaria pelo Rio, preparada para expor toda a sua arrogância e prepotência – que Ele iria descobrir depois da famosa convivência -, só esperando o grande dia do encontro.&lt;br /&gt;E o mundo caiu sobre a cabeça Dele. Como manter um relacionamento a distância? E os dias de amor sobre os raios do sol lindo? A Joana - o nome que ele sempre quis, e quer até hoje, para a sua filha que ainda não chegou? O seu carro, o apartamento? Mas como também perder essa oportunidade de se formar numa cidade com ótimos professores, com um mercado de trabalho consistente e que lhe poderia garantir um futuro brilhante? Como trabalhar numa grande emissora de televisão em Manaus? E as cariocas, os porres de cerveja na Rua Farani? O sambinha na Lapa, MANÉ? Realmente, uma decisão bem difícil.&lt;br /&gt;Entretanto, o tempo que Ele levou para pensar durou um tempo não muito longo para ter a certeza que lhe garantiria um tempo grandioso para os próximos tempos: No fim, escolheu a opção número dois, claro. Deus existe!&lt;br /&gt;Mas Ele ainda estava noivo. Lembro da despedida no aeroporto. Eram mais de trinta cabeças, entre familiares, amigos e a noiva. Ela chorava como uma desgraçada ao ver seu Belo e Aguerrido Noivo entrar pelo túnel de acesso ao avião em uma busca solitária pelo seu sonho. Mas, sério, suas lágrimas secas caíam na verdade porque tinha a certeza de que nada, com relação ao dinheiro, iria lhe garantir um sorriso tranqüilo nos próximos anos. Não passou um ano distante e logo terminou a cena circense.&lt;br /&gt;Chegando ao Rio, começou a batalha de acordar, todos os dias, às cinco da manhã para seguir de ônibus para a faculdade. Um verdadeiro martírio para Ele acordar cedo. Essa porra de “Deus ajuda quem cedo madruga” sempre esbarrou no muro cético que ainda tem em mente. Era uma hora de viagem, tanto pra ir quando pra voltar, num ônibus nada aconchegante e quente de pelar a pele do 666. Chegava por volta das duas da tarde, tinha um tempinho pra preparar Seu almoço e corria para Sua aula de español. Adorava aquilo. Principalmente quando a professora ia de mini-saia. Sem perder as imaginações férteis que tinha ao lado, bem do ladinho mesmo, numa sala escura de quatro paredes, daquela queridíssima argentina, seguia para a sua classe de inglês. Mudança radical. Odiava o inglês. Só fazia porque Sua consciência de bom moço mandava mesmo. E ficava por lá até altas horas da noite.&lt;br /&gt;Não era fácil. Mas Ele queria mais. Não admitia a idéia de ficar quatro anos só estudando e dependendo financeiramente dos pais. Para Ele, isso não passava de frivolidades intelectuais. Trabalhar era a palavra chave. Queria experiência profissional em Rádio, sua grande paixão na área de comunicação. Entretanto, foi aí que enfrentou a maior dificuldade de sua vida: a falta de oportunidade. Até acordar quando o galo canta era menos doloroso.&lt;br /&gt;Foram dias e dias buscando estágio em empresas de comunicação. Para Ele valia tudo: ia a redações de jornal impresso, televisivo e radiofônico. Experiência era a norma. Mas sempre esbarrava logo na portaria. As desculpas eram das mais variadas. Iam da “o chefe não está aqui” a “deixe seu currículo que vamos retornar”. Essa última era a que mais doía, por culpa da angustia mesmo. Ele chegou a um ponto de desistir da mísera remuneração que um praticante em jornalismo tem só para estar no meio. Nem isso!&lt;br /&gt;A falta de oportunidade era sinônimo de fracasso. O fracasso era precedido de falta de orgulho. E do orgulho vinha o desgosto de Seus pais. Tudo isso na linda cabecinha Dele, lembremos. Voltar para a Sua terra e ter Seu garantido e caprichoso emprego, comidinha da mamãe todos os dias e um carrinho na garagem poderia ser a saída. Mas, não! Seguiu...&lt;br /&gt;As mulheres eram Suas válvulas de escape. Longe de ser galanteador, mas sempre encontrava uma ocasião para a distração fisiológica. Não queria mais nada muito sério, tinha medo. A parada era sair e pegar geral mesmo.&lt;br /&gt;E pegou bastante até conhecer Carmelita, jovem atriz de cinema que lhe ensinou que um “Vai pra merda” pode ser tão apaixonante quando um “Te amo”. História longa essa que não vai me dar espaço dentro destas poucas folhas que tenho disponíveis para contar a prematura história profissional Dele. O que posso resumir é que estão juntos até hoje.&lt;br /&gt;Mas enfim, meses passaram e nada. E ficaram passando até pouco tempo atrás, quando... foi atropelado próximo a sua faculdade. Foi feia a coisa. Ele não viu que o sinal pra pedestres estava fechado e seguiu andando na certeza de que qualquer motorista iria perceber a Sua forma nobre de andar. Se machucou todo. E após um relança de desorientação, movido pelo choque, abriu os olhos e viu um senhor, de setenta e poucos anos, com cabelos grisalhos e com dentes amarelados, mostrando sua preocupação através dos estremecer de sua pupila.&lt;br /&gt;- Estou no céu? – perguntou.&lt;br /&gt;- Não, meu jovem, estas num chão com temperatura acima dos 45º graus – respondeu o senhor.&lt;br /&gt;Sem dar tempo de uma tréplica, o senhor pergunta:&lt;br /&gt;- Como posso lhe ajudar, rapaz?&lt;br /&gt;-Primeiro, quero levantar daqui, estou novo para ter hemorróidas. E segundo, senhor, preciso de chance, uma chance para mostra que posso ser o futuro melhor jornalista do Brasil.&lt;br /&gt;Impressionante, né? Mesmo numa situação totalmente desfavorável, Ele não fazia bico pra mostrar o que realmente queria. E mau Ele sabia que aquele bom velinho, que mais parecia uma múmia gorda, era Roberto... Roberto Marinho! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1585947453444455446-588886778752620430?l=brunojos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunojos.blogspot.com/feeds/588886778752620430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1585947453444455446&amp;postID=588886778752620430' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/588886778752620430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/588886778752620430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunojos.blogspot.com/2008/03/crnica-vivendo-vida-por-bruno-jos.html' title='Crônica: Vivendo o viver - Por Bruno José'/><author><name>Bruno José</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04843808972605094933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_6BTKRrs0hTA/R-V_M2fgMPI/AAAAAAAAABk/24ECfjwOO4A/S220/STA60211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1585947453444455446.post-715975293245607129</id><published>2008-03-24T08:53:00.000-07:00</published><updated>2008-12-11T15:00:54.854-08:00</updated><title type='text'>Discurso proferido em 17/01/08 - Por Bruno José</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6BTKRrs0hTA/R-fOz2fgMSI/AAAAAAAAAB4/BXlr_4BF17Q/s1600-h/P1020651.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181337286509343010" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_6BTKRrs0hTA/R-fOz2fgMSI/AAAAAAAAAB4/BXlr_4BF17Q/s400/P1020651.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É em conseqüência de momentos como este, de pura satisfação pelo trabalho de aprimoramento desenvolvido durante quatro anos, que o ânimo que um profissional de comunicação sente ao lutar pelo justo e pelo melhor de sua sociedade deve ser valorizado. A fundamentação de nossas realizações está totalmente voltada para este princípio: o reconhecimento profissional.&lt;br /&gt;Todos nós sabemos que a comunicação é hoje uma necessidade humana. O processo comunicativo é instrumento de exploração das questões que ainda não foram respondidas pelo homem e que seguem vagando pelo espaço em busca de respostas. E sempre será assim. O jogo que formamos, diariamente, nossas opiniões, conceitos e juízos norteiam nossas vidas ao passo de uma respiração. Mas para que esta majestosa comunicação, criada a partir da evolução deste ser chamado de Homo-Sapiens-Sapiens, evolua a passos largos, é preciso existir o reconhecimento daqueles que a aplicam. E é partindo desde ponto de vista que podemos analisar o desenvolvimento de uma nação.&lt;br /&gt;Tendo em vista toda essa problemática, vem a questão: É justo ser responsável por um sistema comunicacional onde não temos um reconhecimento digno? Vivendo em uma nação tida como terceiro mundo, onde o contra-cheque da maioria daqueles que vivem das ciências humanas não passam das duas cifras, onde encontrar estímulo para criar a interação publicitária ou jornalística com a massa? Mesmo com a rotineira tristeza que sentimos ao lidar com esta realidade, a resposta segue instruída por uma certeza quase que absoluta... a paixão pelas diversas áreas da comunicação e o desejo de transformar nosso dia-a-dia em algo bom para todos norteiam essas questões que foram levantadas. E é esta uma de nossas missões. Ou seja, é preciso enfrentar os problemas hoje para que o amanhã seja mais claro é farto de satisfações.&lt;br /&gt;Mas não podemos lembrar aqui só dos contras. Os prós também existem. Um exemplo é nossa faculdade, graças, claro, ao nosso Deus e aos seus abençoados filhos que estão ali a título de docentes. Jamais teríamos o direito de criticar o currículo do curso. Claro que existem alguns problemas, mas nada que pudesse ser resolvido com pequenos ajustes. Com relação aos professores, teríamos, sim, muito a agradeçer, já enautecendo aqui a participação da paraninfa em nossas vidas. Mais uma vez, muito obrigado, professora Michele Cruz, pela dedicação diária em nossas salas de aula.&lt;br /&gt;Vale também lembrar que alí tivemos representantes de outras áreas das Ciências Humanas, como &lt;a title="Sociologia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia"&gt;Sociologia&lt;/a&gt;, &lt;a title="Filosofia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia"&gt;Filosofia&lt;/a&gt;, &lt;a title="Lingüística" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ling%C3%BC%C3%ADstica"&gt;Lingüística&lt;/a&gt;, &lt;a title="Economia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia"&gt;Economia&lt;/a&gt; e &lt;a title="Direito" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito"&gt;Direito&lt;/a&gt;, o que caracteriza a absorção de várias experiências profissionais em um só curso. E, por fim, a pesquisa brasileira em comunicação é outro ponto que deve ser citado. Influenciada pela &lt;a title="Semiologia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Semiologia"&gt;Semiologia&lt;/a&gt;, a pesquisa surge também das correntes de pensamento, como a “&lt;a title="Análise do Discurso" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%A1lise_do_Discurso"&gt;Análise do Discurso&lt;/a&gt;”. Uma ótima fonte do nosso aprendizado.&lt;br /&gt;Desta forma, hoje temos a convicção de que tudo valeu a pena. Os tropeços, as angústias que antecediam as provas do professor Cristiano; as surpresas ao deparamos com as notas da professora Alessandra Porto em Marketing A e B; as lembranças das boas e divertidas aulas da Michele; a surpreendente inteligência da professora Patrícia Saldanha; os trotes, as chopadas, as brigas, os romances em sala de aula, enfim. Hoje vemos que absolutamente tudo faz sentido.&lt;br /&gt;Ai de qualquer orador, em um momento como este, não ressaltar a importância da família nesta longa trajetória. É em momento de satisfação com o bom resultado em um exame ou na aprovação em um processo seletivo para um estágio, ou de pura tristeza movida pelas dificuldades que tonos nós encontramos em nossos dias, que lá estão eles. Mais uma vez, muito obrigado por tudo!&lt;br /&gt;Vivemos esses quatro anos para nos tornarmos, acima de tudo, pessoas melhores. Além do que, se formos presos, por mero descuido para com nossas leis, já podemos ficar em celas especiais, lembremos.&lt;br /&gt;Brincadeiras a parte, podemos concluir que a preservação e a realização dos princípios que regem a nossa sociedade agora também são nossas responsabilidades. Diferente de outros países, vivemos em um estado que passa longe do absolutismo – pelo menos é assim que deveria ser - o que nos deixa claro que o acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade e que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse público ou privado. Em outras palavras, podemos dizer que, mesmo tendo problemas a serem resolvidos, vivemos em uma nação aberta, cujas instituições deverão ser sempre coletivas. Aqui, já temos novos e jovens jornalistas, publicitários e relações públicas... Todos capazes de garantir e lutar pela liberdade de pensamento e expressão, defender o livre exercício de qualquer profissão e opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão. Por fim, temos a absoluta certeza de que, ao sairmos desta sala, daremos nosso sangue para fazer do Brasil um país digno de se viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1585947453444455446-715975293245607129?l=brunojos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunojos.blogspot.com/feeds/715975293245607129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1585947453444455446&amp;postID=715975293245607129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/715975293245607129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/715975293245607129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunojos.blogspot.com/2008/03/discurso-proferido-em-170108-por-bruno.html' title='Discurso proferido em 17/01/08 - Por Bruno José'/><author><name>Bruno José</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04843808972605094933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_6BTKRrs0hTA/R-V_M2fgMPI/AAAAAAAAABk/24ECfjwOO4A/S220/STA60211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6BTKRrs0hTA/R-fOz2fgMSI/AAAAAAAAAB4/BXlr_4BF17Q/s72-c/P1020651.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1585947453444455446.post-7995922886204722029</id><published>2008-03-24T05:09:00.000-07:00</published><updated>2008-03-24T06:33:14.057-07:00</updated><title type='text'>Vida nua, vida besta, uma vida - Por Peter Pál Pelbart</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.europarl.europa.eu/eplive/expert/photo/20070911PHT10281/pict_20070911PHT10281.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.europarl.europa.eu/eplive/expert/photo/20070911PHT10281/pict_20070911PHT10281.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Ao reduzir a existência ao seu mínimo biológico, o biopoder contemporâneo nos transforma em meros sobreviventes&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;O contexto contemporâneo se caracteriza por uma nova relação entre o poder e a vida. Por um lado, uma tendência que poderia ser formulada como segue: o poder tomou de assalto a vida. Isto é, ele penetrou todas as esferas da existência, e as mobilizou inteiramente, pondo-as para trabalhar. Desde os gens, o corpo, a afetividade, o psiquismo, até a inteligência, a imaginação, a criatividade, tudo isso foi violado, invadido, colonizado, quando não diretamente expropriado pelos poderes. Mas o que são os poderes?&lt;br /&gt;Digamos, para ir rápido, com todos os riscos de simplificação: as ciências, o capital, o Estado, a mídia. Sabemos, no entanto, que os mecanismos diversos pelos quais eles se exercem são anônimos, esparramados, flexíveis, rizomáticos. O próprio poder tornou-se "pós-moderno": ondulante, acentrado, reticular, molecular. Com isso, ele incide diretamente sobre nossas maneiras de perceber, de sentir, de amar, de pensar, até mesmo de criar. Se antes ainda imaginávamos ter espaços preservados da ingerência direta dos poderes (o corpo, o inconsciente, a subjetividade) e tínhamos a ilusão de preservar em relação a eles alguma autonomia, hoje nossa vida parece integralmente subsumida a tais mecanismos de modulação da existência.&lt;br /&gt;Até mesmo o sexo, a linguagem, a comunicação, a vida onírica, mesmo a fé, nada disso preserva já qualquer exterioridade em relação aos mecanismos de controle e monitoramento, se é que alguma vez tal exterioridade fosse cabível. Para resumi-lo numa frase: o poder já não se exerce desde fora, nem de cima, mas como que por dentro, pilotando nossa vitalidade social de cabo a rabo. Não estamos mais às voltas com um poder transcendente, ou mesmo repressivo, trata-se de um poder imanente, produtivo. Como o mostrou Foucault, um tal biopoder não visa barrar a vida, mas tende a encarregar-se dela, intensificá-la, otimizá-la. Daí nossa extrema dificuldade em situar a resistência, já mal sabemos onde está o poder, e onde estamos nós, o que ele nos dita, o que nós dele queremos, nós nos encarregamos de administrar nosso controle, e o próprio desejo está inteiramente capturado. Nunca o poder chegou tão longe e tão fundo no cerne da subjetividade e da própria vida como nessa modalidade contemporânea do biopoder.&lt;br /&gt;É onde intervém o segundo eixo que seria preciso evocar, sobretudo em autores provenientes da autonomia italiana. Resumo tal tendência da seguinte maneira. Quando parece que “está tudo dominado”, como diz um rap brasileiro, no extremo da linha se insinua uma reviravolta: aquilo que parecia submetido, controlado, dominado, isto é, “a vida”, revela no processo mesmo de expropriação, sua potência indomável.&lt;br /&gt;Tomemos apenas um exemplo. O capital precisa hoje não mais de músculos e disciplina, porém de inventividade, de imaginação, de criatividade, de força-invenção. Mas essa força-invenção, de que o capitalismo se apropria e que ele faz render em seu benefício próprio, não só não emana dele, como no limite poderia até prescindir dele. É o que se vai constatando aqui e ali: a verdadeira fonte de riqueza hoje é a inteligência das pessoas, sua criatividade, sua afetividade, e tudo isso pertence, como é óbvio, a todos e a cada um. Tal potência de vida disseminada por toda parte nos obriga a repensar os próprios termos da resistência.&lt;br /&gt;Poderíamos resumir esse movimento do seguinte modo: ao poder sobre a vida responde a potência da vida, ao biopoder responde a biopotência, mas esse “responde” não significa uma reação, já que o que se vai constatando é que tal potência de vida já estava lá desde o início. A vitalidade social, quando iluminada pelos poderes que a pretendem vampirizar, aparece subitamente na sua primazia ontológica. Aquilo que parecia inteiramente submetido ao capital, ou reduzido à mera passividade, a “vida”, aparece agora como reservatório inesgotável de sentido, manancial de formas de existência, germe de direções que extrapolam as estruturas de comando e os cálculos dos poderes constituídos.&lt;br /&gt;Seria o caso de percorrer essas duas vias maiores como numa fita de Moebius, o biopoder, a biopotência, o poder sobre a vida, as potências da vida&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl#notas"&gt;1&lt;/a&gt;. Mas aqui isto será feito sob um crivo particular, o do corpo. Pois tanto o biopoder como a biopotência passam necessariamente, e hoje mais do que nunca, pelo corpo. Assim, proponho trabalhar aqui três modalidades de "vida", isto é, três noções de vida, acompanhados de sua dimensão corporal correspondente, percorrendo de um lado a outro a banda de Moebius mencionada.&lt;br /&gt;O "muçulmano"&lt;br /&gt;É preciso começar pelo mais extremo -o "muçulmano". Retomo brevemente à descrição feita por Giorgio Agamben a respeito daqueles que, nos campos de concentração, recebiam essa designação terminal&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl#notas"&gt;2&lt;/a&gt;. O "muçulmano" era o cadáver ambulante, uma reunião de funções físicas nos seus últimos sobressaltos&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl#notas"&gt;3&lt;/a&gt;. Era o morto-vivo, o homem-múmia, o homem-concha. Encurvado sobre si, esse ser bestificado e sem vontade tinha o olhar opaco, a expressão indiferente, a pele cinza pálida, fina e dura como papel, já começando a descascar, a respiração lenta, a fala muito baixa, e feita a um grande custo...&lt;br /&gt;O "muçulmano" era o detido que havia desistido, indiferente a tudo que o rodeava, exausto demais para compreender aquilo que o esperava em breve, a morte. Essa vida não humana já estava excessivamente esvaziada para que pudesse sequer sofrer&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl#notas"&gt;4&lt;/a&gt;. Por que os detidos dos campos chamavam de “muçulmano” aqueles que tinham desistido de viver, já que se tratava sobretudo de judeus? Porque entregava sua vida ao destino, conforme a imagem simplória, preconceituosa e certamente equivocada de um suposto fatalismo islâmico: o “muslim” seria aquele que se submete sem reserva à vontade divina.&lt;br /&gt;Em todo caso, quando a vida é reduzida ao contorno de uma mera silhueta, como diziam os nazistas ao referir-se aos prisioneiros, chamando-os de “Figuren”, figuras, manequins, aparece a perversão de um poder que não elimina o corpo, mas o mantém numa zona intermediária entre a vida e a morte, entre o humano e o inumano: o sobrevivente. O biopoder contemporâneo, conclui Agamben, reduz a vida à sobrevida biológica, produz sobreviventes. De Guantánamo à Africa, isso se confirma a cada dia.&lt;br /&gt;Ora, quando cunhou o termo de biopoder, Foucault tentava discriminá-lo do regime que o havia precedido, denominado de soberania. O regime de soberania consistia em fazer morrer e deixar viver. Cabia ao soberano a prerrogativa de matar, de maneira espetacular, os que ameaçassem seu poderio, e deixar viverem os demais. Já no contexto biopolítico, surge uma nova preocupação. Não cabe ao poder fazer morrer, mas sobretudo fazer viver, isto é, cuidar da população, da espécie, dos processos biológicos, otimizar a vida. Gerir a vida, mais do que exigir a morte.&lt;br /&gt;Assim, se antes o poder consistia num mecanismo de subtração ou extorsão, seja da riqueza, do trabalho, do corpo, do sangue, culminando com o privilégio de suprimir a própria vida&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl#notas"&gt;5&lt;/a&gt;, o biopoder passa agora a funcionar na base da incitação, do reforço e da vigilância, visando a otimização das forças vitais que ele submete. Ao invés de fazer morrer e deixar viver, trata-se de fazer viver, e deixar morrer. O poder investe a vida, não mais a morte -daí o desinvestimento da morte, que passa a ser anônima, insignificante. Claro que o nazismo consiste num cruzamento extremo entre a soberania e o biopoder, ao fazer viver (a "raça ariana") e fazer morrer (as raças ditas "inferiores"), um em nome do outro.&lt;br /&gt;O biopoder contemporâneo, segundo Agamben -e nisso ele parece seguir, mas também "atualizar" Foucault- já não se incumbe de fazer viver, nem de fazer morrer, mas de fazer sobreviver. Ele cria sobreviventes. E produz a sobrevida. No contínuo biológico, ele busca até isolar um último substrato de sobrevida. Como diz Agamben: "Pois não é mais a vida, não é mais a morte, é a produção de uma sobrevida modulável e virtualmente infinita que constitui a prestação decisiva do biopoder de nosso tempo. Trata-se, no homem, de separar a cada vez a vida orgânica da vida animal, o não-humano do humano, o muçulmano da testemunha, a vida vegetativa, prolongada pelas técnicas de reanimação, da vida consciente, até um ponto limite que, como as fronteiras geopolíticas, permanece essencialmente móvel, recua segundo o progresso das tecnologias científicas ou políticas. A ambição suprema do biopoder é realizar no corpo humano a separação absoluta do vivente e do falante, de zoè e biós, do não-homem e do homem: a sobrevida"&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl#notas"&gt;6&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Fiquemos pois, por ora, nesse postulado inusitado que Agamben encontra no biopoder contemporâneo: fazer sobreviver, produzir um estado de sobrevida biológica, reduzir o homem a essa dimensão residual, não humana, vida vegetativa, que o chamado "muçulmano" dos campos de concentração, por um lado, e o neomorto das salas de terapia intensiva, por outro, encarnam.&lt;br /&gt;A sobrevida é a vida humana reduzida a seu mínimo biológico, à sua nudez última, à vida sem forma, ao mero fato da vida, à vida nua. Mas engana-se quem vê vida nua apenas na figura extrema do "muçulmano", sem perceber o mais assustador: que de certa maneira somos todos "muçulmanos". Até Bruno Bettelheim, sobrevivente de Dachau e Buchenwald, quando descreve o comandante do campo, qualifica-o como uma espécie de "muçulmano", "bem alimentado e bem vestido". Ou seja, o carrasco é ele também, igualmente, um cadáver vivo, habitando essa zona intermediária entre o humano e o inumano, máquina biológica desprovida de sensibilidade e excitabilidade nervosa. A condição de sobrevivente, de "muçulmano", é um efeito generalizado do biopoder contemporâneo, ele não se restringe aos regimes totalitários, e inclui plenamente a democracia ocidental, a sociedade de consumo, o hedonismo de massa, a medicalização da existência, em suma, a abordagem biológica da vida numa escala ampliada.&lt;br /&gt;O corpo&lt;br /&gt;Tomemos a título de exemplo o superinvestimento do corpo que caracteriza nossa atualidade. Desde algumas décadas, o foco do sujeito deslocou-se da intimidade psíquica para o próprio corpo. Hoje, o eu é o corpo. A subjetividade foi reduzida ao corpo, a sua aparência, a sua imagem, a sua performance, a sua saúde, a sua longevidade. O predomínio da dimensão corporal na constituição identitária permite falar numa "bioidentidade". É verdade que já não estamos diante de um corpo docilizado pelas instituições disciplinares, como há cem anos atrás, corpo estriado pela máquina panóptica, o corpo da fábrica, o corpo do exército, o corpo da escola. Agora cada um se submete voluntariamente a uma ascese, científica e estética a um só tempo. É o que Francisco Ortega chama de bioascese&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl#notas"&gt;7&lt;/a&gt;. Por um lado, trata-se de adequar o corpo às normas científicas da saúde, longevidade, equilíbrio, por outro, trata-se de adequar o corpo às normas da cultura do espetáculo, conforme o modelo das celebridades.&lt;br /&gt;Como o diz Jurandir Freire Costa, a obsessão pela perfectibilidade física, com as infinitas possibilidades de transformação anunciadas pelas próteses genéticas, químicas, eletrônicas ou mecânicas, essa compulsão do eu para causar o desejo do outro por si, mediante a idealização da imagem corporal, mesmo às custas do bem-estar, com as mutilações que o comprometem, substituem finalmente a satisfação erótica que prometem pela mortificação auto-imposta&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl#notas"&gt;8&lt;/a&gt;. O fato é que abraçamos voluntariamente a tirania da corporeidade perfeita, em nome de um gozo sensorial cuja imediaticidade torna ainda mais surpreendente o seu custo em sofrimento.&lt;br /&gt;A bioascese é um cuidado de si, mas, à diferença dos antigos, cujo cuidado de si visava a bela vida, e que Foucault chamou de estética da existência, o nosso cuidado visa o próprio corpo, sua longevidade, saúde, beleza, boa forma, felicidade científica e estética, ou o que Deleuze chamaria a "gorda saúde dominante". Não hesitamos em qualificá-lo, mesmo nas condições moduláveis da coerção contemporânea, de um corpo fascista -diante do modelo inalcançável, boa parcela da população é jogada numa condição de inferioridade sub-humana. Que, ademais, o corpo tenha se tornado também um pacote de informações&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl#notas"&gt;9&lt;/a&gt;, um reservatório genético, um dividual estatístico, com o qual somos lançados ao domínio da biossociabilidade ("faço parte do grupo dos hipertensos, dos soropositivos" etc.), isto só vem fortalecer os riscos da eugenia. Estamos às voltas, em todo caso, com o registro da vida biologizada… Reduzidos ao mero corpo, do corpo excitável ao corpo manipulável, do corpo espetáculo ao corpo automodulável, é o domínio da vida nua. Continuamos no âmbito da sobrevida, da produção maciça de "sobreviventes", no sentido amplo do termo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Que me seja permitido alargar a noção de sobrevivente mencionada acima. Na sua análise do 11 de Setembro, Slavoj Zizek contestou o adjetivo de covardes imputado aos terroristas que perpetraram o atentado contra as torres gêmeas. Afinal, eles não têm medo da morte, contrariamente aos ocidentais, que não só prezam a vida, conforme se alega, mas querem preservá-la a todo custo, prolongá-la ao máximo. Somos escravos, isto é, somos escravos da sobrevivência, até num sentido hegeliano. Nossa cultura visa sobretudo a sobrevivência, pouco importa a que custo: sobrevivencialismo. Somos os últimos homens de Nietzsche, que não querem perecer, que prolongam sua agonia, "imersos na estupidez dos prazeres diários" -é o Homo Otarius.&lt;br /&gt;A pergunta de Zizek é a de São Paulo: "Quem está realmente vivo hoje? E se somente estivermos realmente vivos, se nos comprometermos com uma intensidade excessiva que nos coloca além da "vida nua"? E se, ao nos concentrarmos na simples sobrevivência, mesmo quando é qualificada como "uma boa vida", o que realmente perdemos na vida for a própria vida? E se o terrorista suicida palestino a ponto de explodir a si mesmo e aos outros estiver, num sentido enfático, "mais vivo"?&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;1&lt;/a&gt; E o autor pergunta: "Não vale mais um histérico verdadeiramente vivo no questionamento permanente da própria existência que um obsessivo que evita acima de tudo que algo aconteça, que escolhe a morte em vida?".&lt;br /&gt;Não se trata, obviamente, de nenhuma conclamação ao terrorismo, mas de uma crítica cáustica ao que o filósofo esloveno chama de postura sobrevivencialista "pós-metafísica" dos Últimos Homens, e ao espetáculo anêmico da vida se arrastando como uma sombra de si mesma, nesse contexto biopolítico em que se almeja uma existência asséptica, indolor, prolongada ao máximo, onde até os prazeres são controlados e artificializados: café sem cafeína, cerveja sem álcool, sexo sem sexo, guerra sem baixas, política sem política -a realidade virtualizada.&lt;br /&gt;Para o filósofo, morte e vida designam não fatos objetivos, mas posições existenciais subjetivas, e, nesse sentido, ele brinca com a idéia provocativa de que haveria mais vida do lado daqueles que de maneira frontal, numa explosão de gozo, reintroduziram a dimensão de absoluta negatividade em nossa vida diária com o 11 de Setembro, do que nos Últimos Homens, todos nós, que arrastam sua sombra de vida como mortos-vivos, zumbis pós-modernos.&lt;br /&gt;O autor chama a atenção para a paisagem de desolação contra a qual vem inscrever-se um tal ato, e sobretudo para o desafio de se repensar hoje o próprio estatuto do ato, do acontecimento, em suma, da gestualidade política, num momento em que a vitalidade parece ter migrado para o lado daqueles que, numa volúpia de morte, souberam desafiar nosso sobrevivencialismo exangue. Seja como for, poderíamos dizer que na pós-política espetacularizada, e com o respectivo seqüestro da vitalidade social, estamos todos reduzidos ao sobrevivencialismo biológico, à mercê da gestão biopolítica, cultuando formas de vida de baixa intensidade, submetidos à morna hipnose consumista, mesmo quando a anestesia sensorial é travestida de hiperexcitação. É a existência de ciberzumbis, pastando mansamente entre serviços e mercadorias, e como dizia Gilles Châtelet, viver e pensar como porcos&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;2&lt;/a&gt;. Vida besta é esse rebaixamento global da existência, essa depreciação da vida, sua redução à vida nua, à sobrevida, estágio último do niilismo contemporâneo.&lt;br /&gt;À vida sem forma do homem comum, nas condições do niilismo, a revista “Tiqqun” deu o nome de “Bloom”&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;3&lt;/a&gt;. Inspirado no personagem de Joyce, “Bloom” seria um tipo humano recentemente aparecido no planeta, e que designa essas existências brancas, presenças indiferentes, sem espessura, o homem ordinário, anônimo, talvez agitado quando tem a ilusão de que com isso pode encobrir o tédio, a solidão, a separação, a incompletude, a contingência -o nada.&lt;br /&gt;Bloom designa essa tonalidade afetiva que caracteriza nossa época de decomposição niilista, o momento em que vem à tona, porque se realiza em estado puro, o fato metafísico de nossa estranheza e inoperância, para além ou aquém de todos os problemas sociais de miséria, precariedade, desemprego etc. Bloom é a figura que representa a morte do sujeito e de seu mundo, onde tudo flutua na indiferença sem qualidades, em que ninguém mais se reconhece na trivialidade do mundo de mercadorias infinitamente intercambiáveis e substituíveis. Pouco importam os conteúdos de vida que se alternam e que cada um visita em seu turismo existencial, o “Bloom” é já incapaz de alegria assim como de sofrimento, analfabeto das emoções de que recolhe ecos difratados.&lt;br /&gt;Quando a vida é reduzida à vida besta em escala planetária, quando o niilismo se dá a ver de maneira tão gritante em nossa própria lassidão, nesse estado hipnótico consumista do “Bloom” ou do “Homo Otarius”, cabe perguntar o que poderia ainda sacudir-nos de tal estado de letargia, e se a catástrofe não estaria aí instalada cotidianamente ("o mais sinistro dos hóspedes", como dizia Nietzsche a respeito do niilismo), ao invés de ser ela apenas a irrupção súbita de um ato espetacular.&lt;br /&gt;O corpo que não agüenta mais&lt;br /&gt;O que poderia ainda nos sacudir de tal estado de letargia, lassidão, esgotamento? Há uma bela definição beckettiana sobre o corpo, dada por David Lapoujade. “Somos como personagens de Beckett, para os quais já é difícil andar de bicicleta, depois, difícil de andar, depois, difícil de simplesmente se arrastar, e, depois ainda, de permancer sentado... Mesmo nas situações cada vez mais elementares, que exigem cada vez menos esforço, o corpo não agüenta mais. Tudo se passa como se ele não pudesse mais agir, não pudesse mais responder. O corpo é aquele que não agüenta mais”&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;4&lt;/a&gt;, até por definição. Mas, pergunta o autor, o que é que o corpo não aguenta mais? Ele não agüenta mais tudo aquilo que o coage, por fora e por dentro.&lt;br /&gt;Por exemplo, o adestramento civilizatório que por milênios se abateu sobre ele, como Nietzsche o mostrou exemplarmente em “Para a Genealogia da Moral”, ou mais recentemente Norbert Elias, ao descrever de que modo o que chamamos de civilização é resultado de um progressivo silenciamento do corpo, de seus ruídos, impulsos, movimentos&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;5&lt;/a&gt;... Mas, também, a docilização que lhe foi imposta pelas disciplinas, nas fábricas, nas escolas, no exército, nas prisões, nos hospitais, pela máquina panóptica...&lt;br /&gt;Tendo em vista o que foi mencionado acima, deveríamos acrescentar essa terceira "camada": o que o corpo não agüenta mais é a mutilação biopolítica, a intervenção biotecnológica, a modulação estética, a digitalização bioinformática, o entorpecimento sensorial. Em suma, e num sentido muito amplo, o que o corpo não agüenta mais é a mortificação sobrevivencialista, seja no estado de exceção, seja na banalidade cotidiana. O "muçulmano", o "ciberzumbi", o "corpo-espetáculo", "a gorda saúde dominante", o "Bloom", por extremas que pareçam suas diferenças, ressoam no efeito anestésico e narcótico, configurando a impermeabilidade de um corpo "blindado"&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;6&lt;/a&gt; em condições de niilismo terminal.&lt;br /&gt;Diante disso, seria preciso retomar o corpo naquilo que lhe é mais próprio, sua dor no encontro com a exterioridade, sua condição de corpo afetado pelas forças do mundo e capaz de ser afetado por elas: sua afectibilidade. Como o observa Barbara Stiegler, para Nietzsche todo sujeito vivo é primeiramente um sujeito afetado, um corpo que sofre de suas afecções, de seus encontros, da alteridade que o atinge, da multidão de estímulos e excitações que lhe cabe selecionar, evitar, escolher, acolher&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;7&lt;/a&gt;. Nessa linha, também Deleuze insiste: um corpo não cessa de ser submetido aos encontros, com a luz, o oxigênio, os alimentos, os sons e as palavras cortantes -um corpo é primeiramente encontro com outros corpos, poder de ser afetado. Mas não por tudo e nem de qualquer maneira, como quem deglute e vomita tudo, com seu estômago fenomenal, na pura indiferença daquele a quem nada abala...&lt;br /&gt;Como então preservar a capacidade de ser afetado, senão através de uma permeabilidade, uma passividade, até mesmo uma fraqueza? Mas como ter a força de estar à altura de sua fraqueza, ao invés de permanecer na fraqueza de cultivar apenas a força, pergunta Nietzsche e, no seu rastro, Stiegler, Lapoujade? Gombrowicz referia-se a um inacabamento próprio à vida, ali onde ela se encontra em estado mais embrionário, onde a forma ainda não “pegou” inteiramente&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;8&lt;/a&gt;, e a atração irresistível que exerce esse estado de Imaturidade, onde está preservada a liberdade de “seres ainda por nascer”... Porém, será possível dar espaço a tais "seres ainda por nascer" num corpo excessivamente musculoso, em meio a uma atlética auto-suficiência, demasiadamente excitada, plugada, obscena, perfectível? Talvez por isso tantos personagens literários, de Bartleby ao artista da fome, precisem de sua imobilidade, esvaziamento, palidez, no limite do corpo morto. Para dar passagem a outras forças que um corpo excessivamente blindado não permitiria. Mas será preciso produzir um corpo morto para que outras forças atravessem o corpo?&lt;br /&gt;José Gil observou o processo através do qual, na dança contemporânea, o corpo se assume como um feixe de forças e desinveste os seus órgãos, desembaraçando-se dos “modelos sensório-motores interiorizados”, como o diz Cunningham. Um corpo “que pode ser desertado, esvaziado, roubado da sua alma”, para então poder “ser atravessado pelos fluxos mais exuberantes da vida”. É aí, diz Gil, que esse corpo, que já é um corpo-sem-órgãos, constitui ao seu redor um domínio intensivo, uma nuvem virtual, uma espécie de atmosfera afetiva, com sua densidade, textura, viscosidade próprias, como se o corpo exalasse e liberasse forças inconscientes que circulam à flor da pele, projetando em torno de si uma espécie de “sombra branca”&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;9&lt;/a&gt;. Não posso me furtar à tentação, nem que seja de apenas mencionar, a experiência da Cia. Teatral Ueinzz, que coordeno em São Paulo, na qual reencontramos entre alguns dos atores ditos psicóticos, posturas “extraviadas”, inumanas, disformes, rodeados de sua “sombra branca”, ou imersos numa “zona de opacidade ofensiva”&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;10&lt;/a&gt;. O corpo aparece aí como sinônimo de uma certa impotência, mas é dessa impotência que ele extrai uma potência superior, nem que seja às custas do corpo empírico.&lt;br /&gt;Pois é às custas do corpo empírico que um corpo virtual pode vir à tona. Desde o jejuador até o homem-inseto, os personagens de Kafka reivindicam um corpo “afetivo, intensivo, anarquista, que só comporta pólos, zonas, limiares e gradientes”. Como dizem Deleuze-Guattari, num tal corpo se desfazem e se embaralham as hierarquias, “preservando-se apenas as intensidades que compõem zonas incertas e as percorrem a toda velocidade, onde enfrentam poderes, sobre esse corpo anarquista devolvido a si mesmo”&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;11&lt;/a&gt;, ainda que ele seja o de um coleóptero. “Criar para si um corpo sem órgãos, encontrar seu corpo sem órgãos é a maneira de escapar ao juízo” do pai, do patrão, de Deus, é uma maneira de fugir a todo um sistema do juízo, da punição, da culpa, da dívida.&lt;br /&gt;Ao invés da dívida infinita em relação à instância transcendente, o embate dos corpos, num sistema da crueldade imanente. Há aí, insistem os autores, nesse corpo desfeito e intensivo, tal como aparece em Kafka, uma vitalidade não-orgânica, inumana, e um combate: “Todos os gestos são defesas ou mesmo ataques, esquivas, paradas, antecipações de um golpe que nem sempre se vê chegar, ou de um inimigo que nem sempre se consegue identificar: donde a importância das posturas do corpo”&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;12&lt;/a&gt;. Mas o objetivo do combate, diferentemente da guerra, não consiste em destruir o Outro, mas em escapar-lhe ou apossar-se de sua força. Em suma, o combate como uma “poderosa vitalidade não-orgânica, que completa a força com a força, e enriquece aquilo de que se apossa”.&lt;br /&gt;Mas o que é essa vitalidade não-orgânica? Em “Imanência: Uma Vida”, último texto escrito por Deleuze, comparece um exemplo -o de Dickens. O canalha Riderhood está prestes a morrer num quase afogamento, e libera nesse ponto uma “centelha de vida dentro dele” que parece poder ser separada do canalha que ele é, centelha com a qual todos à sua volta se compadecem, por mais que o odeiem -eis aí uma vida, puro acontecimento, em suspensão, impessoal, singular, neutro, para além do bem e do mal, uma “espécie de beatitude”, diz Deleuze&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,2.shl#notas"&gt;13&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;O outro exemplo está no extremo oposto da existência: os recém-nascidos, que, “em meio a todos os sofrimentos e fraquezas, são atravessados por uma vida imanente que é pura potência, e até mesmo beatitude”. É que também o bebê, como o morimbundo, é atravessado por uma vida. Assim o define Deleuze&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,3.shl#notas"&gt;1&lt;/a&gt;: “querer-viver obstinado, cabeçudo, indomável, diferente de qualquer vida orgânica: com uma criancinha já se tem uma relação pessoal orgânica, mas não com o bebê, que concentra em sua pequenez a energia suficiente para arrebentar os paralelepípedos (o bebê-tartaruga de Lawrence)&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,3.shl#notas"&gt;2&lt;/a&gt;”. Com o bebê só se tem relação afetiva, atlética, impessoal, vital, pois o pequeno é a sede irredutível das forças, a prova mais reveladora das forças.&lt;br /&gt;É como se Deleuze perscrutasse um aquém do corpo empírico e da vida individuada, como se ele buscasse, não só em Kafka, Lawrence, Artaud, Nietzsche, mas ao longo de toda sua própria obra, aquele limiar vital e virtual a partir do qual todos os lotes repartidos, pelos deuses ou homens, giram em falso e derrapam, perdem a pregnância, já não “pegam” no corpo, permitindo-lhe redistribuições de afeto as mais inusitadas. Este limiar, entre a vida e a morte, entre o homem e o animal, entre a loucura e a sanidade, onde nascer e perecer se repercutem mutuamente, põe em xeque as divisões legadas por nossa tradição, e indica o que Deleuze pôde chamar de uma vida.&lt;br /&gt;Já podemos perceber a que ponto parecem vizinhas a tematização do limite entre o humano e o inumano feita por Deleuze, para abordar o que ele entendia por uma vida, e aquela feita por Agamben, para abordar o que ele chamou de vida nua, seja no caso do "muçulmano", seja no caso do neomorto. Talvez caiba formular aqui a questão crucial. Como diferenciar a decomposição e a desfiguração do corpo necessárias para que as forças que o atravessam inventem novas conexões e liberem novas potências, tendência que caracterizou parte de nossa cultura das últimas décadas, nas suas experimentações diversas, das danças às drogas e à própria literatura, da decomposição e desfiguração que a produção do sobrevivente, ou a manipulação biotecnológica suscita e estimula? Como diferenciar a perplexidade de Espinosa, com o fato de que não sabemos ainda o que pode o corpo, do desafio dos poderes e da tecnociência, que precisamente vão pesquisando o que se pode com o corpo? Como descolar-se desta obsessão de pesquisar "o que se pode fazer com o corpo" (questão biopolítica: que intervenções, manipulações, aperfeiçoamentos, eugenias...), e afinar "o que pode o corpo" (questão vitalista, espinosista)? Potências da vida que precisam de um corpo-sem-órgãos para se experimentarem, por um lado, poder sobre a vida que precisa de um corpo pós-orgânico para anexá-lo à axiomática capitalistica.&lt;br /&gt;Mas talvez para que um pólo apareça é preciso, ao mesmo tempo, que o outro seja combatido, ou ao menos deslocado. Por exemplo, para que aquilo que Deleuze chamou de uma vida possa aparecer na sua imanência e afirmatividade, é preciso que ela se tenha despojado de tudo aquilo que pretendeu representá-la ou contê-la. Toda a tematização do corpo-sem-órgãos é uma variação em torno desse tema biopolítico por excelência, a vida desfazendo-se do que a aprisiona, do organismo, dos órgãos, da inscrição dos poderes diversos sobre o corpo, ou mesmo de sua redução à vida nua, vida-morta, vida-múmia, vida-concha. Mas se a vida deve livrar-se de todas essas amarras sociais, históricas, políticas, não será para reencontrar algo de sua animalidade desnudada, despossuída? Será a invocação de uma vida nua, de uma zoé, como diziam os antigos, contra uma forma de vida qualificada, contra bios? Diz Kuniichi Uno, a respeito: "Mas ele (Artaud) nunca perdeu o sentido intenso da vida e do corpo como gênese, ou auto-gênese, como força intensa, impermeável, móvel sem limites que não se deixaria determinar nem mesmo pelos termos como bios ou zoé. A vida é para Artaud indeterminável, em todos os sentidos, enquanto a sociedade é feita pela infâmia, o tráfico, o comércio que não cessa de sitiar a vida e sobretudo a do corpo"&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,3.shl#notas"&gt;3&lt;/a&gt;. Bastaria meditar a frase enigmática de Artaud: "Eu sou um genital inato, ao enxergar isso de perto isso quer dizer que eu nunca me realizei./ Há imbecis que se crêem seres, seres por inatismo./ Eu sou aquele que para ser deve chicotear seu inatismo". E Uno comenta que um genital inato é alguém que tenta nascer por si mesmo, fazer um segundo nascimento a fim de excluir seu inatismo. Pois ser inato é não ter nascido.&lt;br /&gt;Pensemos em Beckett ouvindo Jung dizer, sobre uma paciente: o fato é que ela nunca nasceu. E ele transporta essa frase para o contexto de sua obra. Ali, um eu que não nasceu escreve sobre aquele outro que, sim, nasceu. Essa recusa do nascimento biológico não é a recusa proveniente de um ser que não quer viver, mas daquele que exige nascer de novo, sempre, o tempo todo. O genital inato é a história de um corpo que coloca em questão seu corpo nascido, com as suas funções e todos os órgãos, representantes das ordens, instituições, tecnologias visíveis ou invisíveis que pretendem gerir o corpo. Um corpo que, a partir ou em favor de um corpo sem órgãos, desafia esse complexo sociopolítico que Artaud chamou de Juízo de Deus e que poderíamos chamar de um biopoder.&lt;br /&gt;Essa recusa do nascimento em favor de um auto-nascimento não equivale ao desejo de dominar seu próprio começo, mas de recriar um corpo que tenha o poder de começar, diz Uno. A vida é este corpo, insiste ele, desde que se descubra o corpo em sua força de gênese, por um lado, e desde que ele se libere daquilo que pesa sobre ele como determinação -guerra à biopolítica. Talvez esse seja um dos poucos pontos em que concordamos com Badiou, quando afirma que, para Deleuze, o nome do ser é a vida, mas a vida não é tomada como um dom ou um tesouro, nem como sobrevida, antes como um neutro que rejeita toda categoria. Diz ele: “Toda vida é nua. Toda vida é desnudamento, abandono das vestimentas, dos códigos e dos órgãos; não que nos dirigimos para um buraco negro niilista. Mas ao contrário para sustentar-se no ponto em que se intercambiam atualização e virtualização; para um ser criador”&lt;br /&gt;wrt_note()&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,3.shl#notas"&gt;4&lt;/a&gt;. Mas será que Badiou tem razão em designar essa vida como nua? Em todo caso, essa vida desnudada a que se refere ele não pode ser, como já Uno o havia notado, simples zoé, a vida como fato, o fato animal da vida, ou a vida reduzida a esse estado de nudez biológica anexada à ordem jurídica pelo estado de exceção, ou destinada à manipulação tecnocientífica pelo movimento niilista do capital.&lt;br /&gt;Uma vida tal como Deleuze a concebe é a vida como virtualidade, diferença, invenção de formas, potência impessoal, beatitude. Vida nua, ao contrário, tal como Agamben a teorizou, é a vida reduzida ao seu estado de mera atualidade, indiferença, disformidade, impotência, banalidade biológica. Para não falar na vida besta, exacerbação e disseminação entrópica da vida nua, no seu limite niilista. Se, no entanto, vida nua e uma vida são tão contrapostas, mas ao mesmo tempo tão sobrepostas, é porque no contexto biopolítico é a própria vida que está em jogo, sendo ela o campo de batalha. Contudo, como dizia Foucault, é no ponto em que o poder incide com força maior, a vida, que doravante se ancora a resistência a ele, mas justamente, como que mudando de sinal. Em outras palavras, às vezes é no extremo da vida nua que se descobre uma vida, assim como é no extremo da manipulação e decomposição do corpo que ele pode descobrir-se como virtualidade, imanência, pura potência, beatitude.&lt;br /&gt;Mesmo na existência espectral do “Bloom”, de algum modo se insinua uma estratégia de resistência: ele é o homem sem qualidades, sem particularidades, sem substancialidade do mundo, onde já nem o biopoder “pega” -o homem enquanto homem, como nota Deleuze, o anti-herói presente na literatura do século passado, de Kafka a Musil, de Melville a Michaux e Pessoa, é o homem sem comunidade, que por isso mesmo chama por uma “comunidade por vir”.&lt;br /&gt;Se os que melhor diagnosticaram a vida bestificada, de Nietzsche e Artaud até os jovens experimentadores de hoje, têm condições de retomar o corpo como afectibilidade, fluxo, vibração, intensidade, e até mesmo como um poder de começar, não será porque neles ela atingiu um ponto intolerável? Não estaríamos todos nós nesse ponto de sufocamento, que justamente por isso nos impele numa outra direção? Talvez haja algo na extorsão da vida que deve vir a termo para que esta vida possa aparecer diferentemente... Algo deve ser esgotado, como o pressentiu Deleuze em “L´Épuisé”, para que um outro jogo seja pensável.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Este texto foi escrito a partir de palestra apresentada por ocasião do Festival Alkantara, em Lisboa, no contexto dos encontros propostos pela dançarina Vera Mantero, no Teatro São Luiz, em junho de 2006.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1585947453444455446-7995922886204722029?l=brunojos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunojos.blogspot.com/feeds/7995922886204722029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1585947453444455446&amp;postID=7995922886204722029' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/7995922886204722029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/7995922886204722029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunojos.blogspot.com/2008/03/vida-nua-vida-besta-uma-vida-por-peter.html' title='Vida nua, vida besta, uma vida - Por Peter Pál Pelbart'/><author><name>Bruno José</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04843808972605094933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_6BTKRrs0hTA/R-V_M2fgMPI/AAAAAAAAABk/24ECfjwOO4A/S220/STA60211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1585947453444455446.post-3321229986570585390</id><published>2008-03-23T08:22:00.000-07:00</published><updated>2008-03-24T06:35:27.221-07:00</updated><title type='text'>A amarga despedida da Cuba linda - Por Bruno José</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.dnt.adv.br/images/2007/10/10/cuba.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.dnt.adv.br/images/2007/10/10/cuba.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"Texto produzido em homenagem ao mais brasileiro de todos os cubanos..."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Félix Mutiz, aos 44 anos, vive agora no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa. Seu apartamento amplo, de paredes brancas e decorado com quadros de artistas latino-americanos, localiza-se na rua intitulada Belfort Roxo, em homenagem a um dos principais físicos do estado, Raimundo Teixeira Belfort Roxo, falecido em 17 de novembro de 1896. E apenas a uma quadra da tão famosa praia de Copacabana.&lt;br /&gt;Entre o movimento ofuscante dos carros e ônibus que passam pelas ruas do bairro, lá está ele, do outro lado da esquina, carregando duas sacolas cheias de produtos alimentícios e de limpeza. É domingo, dia reservado para as compras. Afinal, durante a semana, entre as aulas particulares de espanhol e seus compromissos em uma agência de turismo, não lhe sobra tempo para os deveres da casa.&lt;br /&gt;O sol do meio dia, por sua vez, clareia o rosto fino e barbado de seu namorado, um jovem artista plástico brasileiro que não mede esforços para estar sempre ao seu lado. “Um casal que dá inveja”, frase unânime entre os amigos.&lt;br /&gt;Os dois esperam o sinal fechar e seguem, com passos firmes e sincronizados, por mais 100 metros em direção à portaria do seu prédio. Em seguida, Félix deixa as compras no piso do elevador, aperta o botão de número três e olha para o relógio. “Ainda temos tempo”, pensa.&lt;br /&gt;Ao fechar a porta do seu apartamento, começa o trabalho. Enquanto seu companheiro reserva-se na cozinha, organizando as compras e preparando a comida, ele dá início à faxina. O tempo passa rápido. E falta pouco para que mais uma festa a la cubana comece.&lt;br /&gt;Um dia que resume sua rotina. Sempre rodeado pelas surpresas reservadas a cada 24 horas, ele já se considera um carioca da gema. Já são mais de seis anos vivendo no país de clima tropical que tanto lhe encanta. Coleciona várias amizades. Mas essa felicidade estonteante, que brilha sempre em seus grandes olhos negros, manteve-se obscura por muito tempo.&lt;br /&gt;Sua vida começa a mudar a partir do dia 20 de agosto de 1999. Reúne seus pertences, dá seus primeiros passos em direção ao saguão do aeroporto e deixa para trás uma mistura de sentimentos que vai muito além da tristeza, do medo, da saudade. Afinal, começa ali a despedida de um passado conturbado em um país socialista, onde a repressão a qualquer expressão popular que vá contra o sistema é cruel; onde a lei deixa transparente o desprezo ao livre-arbítrio do ser humano; onde, até hoje, a fome é o pior inimigo de um povo tão letrado. Começa ali a ansiedade de conhecer um novo país, novos costumes, valores; começa ali a constante e singela recordação das pessoas que não verá mais.&lt;br /&gt;Jornalista apaixonado pela cultura latina, ele é só mais um entre os milhões de cubanos que deixam a ilha todos os anos para tentar a sorte nos quatro cantos do mundo. E não voltam mais. Pelo menos até que um futuro não distante possa inverter a realidade daquele país, que também sofre com um bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto, há mais de 40 anos, pelos EUA.&lt;br /&gt;Mas Félix mantém seus motivos particulares. Assumindo-se homossexual, ainda jovem, começou a sofrer represálias por parte de familiares e de representantes do governo. E, segundo ele, foi vítima da situação em várias ocasiões:&lt;br /&gt;- Um exemplo claro foi quando fiz um concurso público para trabalhar como professor em Santi Spiritus, cidade a 400 quilômetros de Havana, capital de Cuba. Não passei por ser homossexual – diz Mutiz. – A falta de liberdade me fez sair daquele país. O governo tem o poder de controlar nosso dia-a-dia. Você não pode fazer absolutamente nada. A rejeição era muito grande.&lt;br /&gt;Corpo jovem, pernas e braços grossos, baixo, a boca pequena contrasta com a voz firme e determinada, muitas vezes confundida pela arrogância, por isso tem a fama de ser pedante em certas situações. Seu sorriso encantador está sempre estampado no rosto marcado pelas dificuldades até então vividas. Calvo, de pele morena, as roupas e sapatos sociais sempre combinando e o cordão de missangas coloridas lhe dá um ar jovial. É fã incondicional de Jorge Amado, o escritor famoso pelo caráter seco, participante e lírico de suas obras que retratam a miséria e a opressão do trabalhador rural e o romance proletário do povo nordestino. Seu livro predileto é Tieta do Agreste, um best-seller lançando em 1997. Mas sua biblioteca também tem espaço para as poesias do amazonense Tiago de Melo, contos de Machado de Assis e para as grandes reportagens de Fernando Morais.&lt;br /&gt;A vontade de vencer na vida o torna focado em torno de seus objetivos traçados a curto, médio e longo prazo. A longo prazo, pretende criar uma agência de turismo na capital fluminense. É praticante da Santeria, uma religião afro-cubana, proibida por Fidel Castro por mais de 30 anos, e liberada somente nos anos 90 com a visita do Papa João Paulo II à ilha. “Sempre estou protegido pelo meu Orisha”, assegura de forma persuasiva.&lt;br /&gt;Vê em um futuro não tão distante seu retorno a Cuba. Sente saudades daqueles que um dia disse “até logo”. O modo como encara a vida fez com que um oceano profundo e distante os separasse. Mas essa nostalgia será suprida em relances de contáveis dias e noites, já que sua vida não deixa mais o Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1585947453444455446-3321229986570585390?l=brunojos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunojos.blogspot.com/feeds/3321229986570585390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1585947453444455446&amp;postID=3321229986570585390' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/3321229986570585390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/3321229986570585390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunojos.blogspot.com/2008/03/amarga-despedida-da-cuba-linda.html' title='A amarga despedida da Cuba linda - Por Bruno José'/><author><name>Bruno José</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04843808972605094933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_6BTKRrs0hTA/R-V_M2fgMPI/AAAAAAAAABk/24ECfjwOO4A/S220/STA60211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1585947453444455446.post-429451605121806241</id><published>2008-03-22T14:29:00.000-07:00</published><updated>2008-12-11T15:00:55.147-08:00</updated><title type='text'>A teoria dos estudantes - Por Bruno José</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_6BTKRrs0hTA/R-pIMWfgMTI/AAAAAAAAACA/0zJm6g9_zbk/s1600-h/ignorancia%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182033698276520242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_6BTKRrs0hTA/R-pIMWfgMTI/AAAAAAAAACA/0zJm6g9_zbk/s320/ignorancia%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;A santa ignorância&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudante de jornalismo das grandes e tantas faculdade particulares existentes hoje no país sabe sonhar. Sonhar em ser famoso, em viver num mar de dinheiro ou, para os mais modestos, sonhar em ser correspondente internacional e viajar pelo mundo conhecendo as terras exóticas do nosso planeta. Nem mais nem menos e, aqui entre nós, nada mal. Sem dúvida, as diversas áreas disponíveis na profissão podem transformar os anseios acadêmicos em ideais realizados. Mas a corrida é longa e torturante. A capacitação profissional deve ser primorosa; a paixão pelo cotidiano corriqueiro, pelas letras, pelo contato com o povo, entre outras coisas, deve correr pelas veias. Mas o problema está exatamente aí. Lutar pelo útil e garantir o, vamos dizer, agradável não é mais visto hoje em dia nas salas de aula climatizadas pelo dinheiro dos “paitrocínios”. Não que todos sejam assim. Salvem as raras exceções. Mas a teoria, basicamente, é esta: em se tratando do jornalismo que custa R$820,00 por mês, nosso futuro já não será mais visto pela genialidade que outros tantos profissionais da comunicação um dia expuseram no jornal, no rádio ou na televisão.&lt;br /&gt;Longe de mim levantar a bandeira das instituições públicas, ainda mais neste momento em que tudo é “cotas”. Claro que em todo canto há os pontos podres. Não percamos tempo aqui falando da falta de estrutura física ou da má remuneração do corpo docente desses locais. Perderíamos horas e horas criticando o sistema.&lt;br /&gt;O que proponho a você, leitor, é a absorção das pesquisas realizadas sobre o desempenho acadêmico dos estudantes de faculdades públicas e particulares em processos seletivos das grandes empresas de comunicação. É exorbitante a diferença. Muito além disso, proponha-se a sentar em um boteco qualquer e a conversar com representantes das duas “facções” sobre nietzsche. Pode ser também sobre Irineu Marinho, se você quiser. O papo ficaria mais verde e amarelo. Tenho certeza que, depois dessas experiências, nossas opiniões vagarão na mais absoluta harmonia.&lt;br /&gt;Falo de estudantes de jornalismo, lembremos!&lt;br /&gt;Trabalhava em uma emissora de rádio no Rio de Janeiro. Em uma tarde quente de setembro, converso com uma coleguinha de profissão. Era estagiária, tinha seus 23 anos e estudava em uma faculdade particular da Tijuca. Depois da perda de um certo tempo que tive, me vem a cabeça a brilhante pergunta:&lt;br /&gt;- Meu bem, quando você se formar, qual área pretende seguir?&lt;br /&gt;E ela reponde:&lt;br /&gt;- Ah, sei lá, tipo assim... quero ser da MTV!&lt;br /&gt;Revido a ofensa:&lt;br /&gt;-É? Legal! Me diz uma coisa, você se interessa pela leitura? O que você gosta de ler?&lt;br /&gt;Depois de sessenta segundos de pausa, ela responde:&lt;br /&gt;-Não sou muito chegada à leitura, não. Só leio a Veja quando estou no banheiro.&lt;br /&gt;Juro a você que esse dia foi um dos mais chocantes para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro caso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu sentado em minha mesa quando chega uma estagiária pedindo para que eu revisasse o texto dela. Como sempre, levanto-me na mais absoluta empolgação (sem sarcasmo, juro!) e vou em direção ao computador.&lt;br /&gt;A estudante de comunicação de uma outra faculdade particular do Rio escrevia sobre uma operação policial na Favela do Caju, zona norte da cidade. O texto é basicamente este:&lt;br /&gt;“...os policiais militares realizaram na tarde deste sábado uma incurção na favela do Caju com o objetivo de aprender armas e maconha. A operasão durou mais ou menos duas horas. Seis meliantes foram presos. Ninguém ficou ferido...”&lt;br /&gt;Além do assassinato da língua portuguesa, a estudante conseguiu desconectar as informações que deveriam seguir emparelhadas através dos famosos “o quê, quem, quando, como, onde e por quê?”. Sem esquecer, é claro, da linguagem técnica utilizada pelos nobres, aguerridos e honestos policiais militares do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;Aí você me pergunta: por onde vagava a cabeça do chefe de redação quando recrutou essa estagiária. Pois é, estou nessa procura já faz tempo.&lt;br /&gt;Jamais terei o direito de criticar o currículo dos cursos de jornalismo, que inclui, entre outros temas, a história da comunicação, a técnica de reportagem, diagramação além dos projetos experimentais. Tampouco estou aqui para difamar a imagem dos pobres professores – literalmente! Vale lembrar que muitos deles não são jornalistas por profissão. Temos, hoje em dia, por exemplo, representantes das áreas de Ciências Humanas, como &lt;a title="Sociologia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia"&gt;Sociologia&lt;/a&gt;, &lt;a title="Filosofia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia"&gt;Filosofia&lt;/a&gt;, &lt;a title="Lingüística" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ling%C3%BC%C3%ADstica"&gt;Lingüística&lt;/a&gt;, &lt;a title="Economia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia"&gt;Economia&lt;/a&gt; e &lt;a title="Direito" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito"&gt;Direito&lt;/a&gt;. Vendo-me na rotina massantes desse heróis, imagino o quanto deve ser difícil lidar com o desinteresse dos alunos, mesmo tendo a convicção da importância de seus trabalhos que consiste, basicamente, em orientado os futuros profissionais para as demandas do &lt;a title="Mercado" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado"&gt;mercado&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;A pesquisa brasileira em comunicação é outro ponto que deve ser elogiado. Influenciada pela &lt;a title="Semiologia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Semiologia"&gt;Semiologia&lt;/a&gt;, a pesquisa surge também das correntes de pensamento, como a “&lt;a title="Análise do Discurso" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%A1lise_do_Discurso"&gt;Análise do Discurso&lt;/a&gt;”. Além disso, o ensino da técnica tem muita influência do jornalismo dos anos &lt;a title="1940" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1940"&gt;1940&lt;/a&gt; a &lt;a title="1960" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1960"&gt;1960&lt;/a&gt;, antes da tendência do famoso &lt;a title="New Journalism" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/New_Journalism"&gt;New Journalism&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Mas e aí? Eles tem tudo isso, sim. Mas o interesse pela cervejinha no fim de semana, pela balada que “sempre rola” ou pela pegação nos corredores das instituições sempre vai falar mais alto. Alto e em sala de aula, para o terror dos professores.&lt;br /&gt;Na minha época de faculdade, lembro-me do meu primeiro dia de aula. Ah, vale ressaltar que estudei em uma instituição particupar – o maior arrependimento de toda a minha vida. Mas enfim, voltemos para o caso: Em sala de aula, logo no primeiro período de curso, eram mais de sessenta cabeças. A média de idade vaiava de 17 a 23 anos. Agora imagine você, nesta situação, querendo aprender a fazer jornalismo. Duarnte seis meses, não conseguia ouvir sequer meu nome na lista de presença. Todos os dias, era submetido às lições de moral que os professores, massacrados pelo desinteresse dos outros, vomitavam em nossas cabeças. Sem falar no constante entra e sai dos super-ativos, do barulho dos mp3 dos futuros “músicos-jornalistas”, da roda de baralho que tantos participavam em plena sala de aula... um verdadeiro pandemônio.&lt;br /&gt;Nos últimos 20 anos, temos assistido a uma revolução digital em nossas vidas. Não muito inclusiva, é verdade, mas que tem trazido inovações tecnológicas às vezes revolucionárias para o nosso dia-a-dia. No entanto, outras vezes, simplesmente trazem um luxo e que, fatalmente, nos parece impossível viver sem esses objetos.&lt;br /&gt;Pois é, mas essas constantes compras, alvos do desejo do consumo capitalista, deixam um rastro cada vez mais marcante em nossa sociedade. Esse rastro, em se tratado do exercício acadêmico, acarreta na morosidade dos estudantes. O MSN, o Orkut, o Fotolog, conseqüências desta inclusão digital, geram o desinteresse pela pesquisa das teorias comunicacionais, pela leitura das obras dos grandes escritores brasileiros ou estrangeiros, que, na grande maioria dos casos, encontram-se expostas no mundo cibernético. É preciso educar as próximas gerações para o uso responsável dessas tecnologias. Ao contrário de outros tempos, onde era preciso criar notícias para que o jornal do dia seguinte fosse rodado, a notícia que roda o mundo hoje é muito mais acessível. E essa facilidade gera alienação dos estudantes de jornalismo, já que o sair para a rua em busca de manchete não é mais visto atualmente. É normal vermos emissoras de rádio e televisão produzirem jornais dentro da redação. E onde fica a grande “ideologia jornalística”, onde tudo que fosse de interesse público era apurado à risca? Sem perder tempo, a internet está aí... gerando facilidades no acesso e criando péssimos futuros profissionais de jornalismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1585947453444455446-429451605121806241?l=brunojos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunojos.blogspot.com/feeds/429451605121806241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1585947453444455446&amp;postID=429451605121806241' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/429451605121806241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1585947453444455446/posts/default/429451605121806241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunojos.blogspot.com/2008/03/teoria-dos-estudantes.html' title='A teoria dos estudantes - Por Bruno José'/><author><name>Bruno José</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04843808972605094933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_6BTKRrs0hTA/R-V_M2fgMPI/AAAAAAAAABk/24ECfjwOO4A/S220/STA60211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6BTKRrs0hTA/R-pIMWfgMTI/AAAAAAAAACA/0zJm6g9_zbk/s72-c/ignorancia%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
